Inicialmente, os símbolos foram as forças da Natureza chamadas deidades Védicas: Agni (Fogo), Surya (Sol), Indra (Relâmpago), Vayu (Ar), entre outras. Depois, com o advento dos Puranas - 18 textos compostos pelo sábio Vyasa - tais símbolos passaram a ser representados com forma humana, aproximando homens e deuses. Puranas vem de purá, que significa aquilo que é muito antigo e não se tem idéia de quando começou.
Predominantemente formados com material da tradição devocional (Bhakti), no entanto, os Puranas, em suas histórias, relevam também o valor dos deveres morais (Dharma), a exemplo das regras de castas (Varna), estágios da vida (Ashrama), e objetivos do homem (Purusharthas).
Os principais deuses védicos (Agni, Indra, Surya e Vayu) ainda aparecem nos Puranas, porém, em situação secundária. Surgem destacadamente nos Puranas: a Trindade Brahma (Criador), Vishnu (Preservador) e Shiva (Transformador profundo) com suas respectivas consortes ou shaktis: Sarasvati (Conhecimento), Lakshmi (Prosperidade) e Parvati (Matéria). A extraordinária visão da passagem das eras (yugas). Os avataras (reencarnações divinas). E uma grande variedade de deuses e deusas, como aspectos do Criador.
Ganesha, por exemplo é uma das mais expressivas formas da Mitologia Hindu, talvez a mais amada e venerada. Sua história é a nossa história, pois apegados à matéria, dominados pelos desejos, envolvidos totalmente pelo véu da ilusão, precisamos “mudar a nossa cabeça”, a nossa visão de vida, para que possamos nos transformar e finalmente perceber a nossa Verdadeira Natureza, Saccidananda - o Absoluto.
Annabella Magalhães
Professora do curso de Formação de Dakshina Tantra, da ABDTY