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De pé, nos seus
próprios pés
O que é
Yoga? Qual a diferença entre as diversas linhas, correntes ou filosofias,
como se queira chamar? Como essa cultura milenar pode ajudar a resolver
problemas e dificuldades enfrentadas pelo homem moderno? Numa simples frase
lida ou ouvida em algum lugar, e que toma como sua, o professor Paulo Murilo
Rosas, presidente da Associação Brasileira de Dakshina Tantra Yoga (ABDTY),
responsável pela difusão de parte dos ‘segredos’ passados pelos mestres
hindus ao longo dos anos, define: “Yoga não é ficar de cabeça para baixo,
mas ficar de pé nos seus próprios pés.”
É com essa consciência que, no decorrer
dos últimos 30 anos, Paulo Murilo vem plantando entre nós, ocidentais,
sul-americanos e brasileiros, a sabedoria que bebeu na fonte, quando viveu
na Índia e estudou com os mestres do Tantra (palavra que tem origem no
sânscrito - Tantr - e significa controlar, governar). Foi deixando aqui e
ali sementes que se espalharam, e ajudando pessoas a encontrarem o
equilíbrio de sua personalidade, através do desenvolvimento da consciência
individual. Daí o Tantra Yoga ser chamado de Psicologia do Yoga. É um
sistema capaz de levar o indivíduo a governar ou controlar a si mesmo, tendo
como objetivo a busca do auto-conhecimento.
Nós, da ABDTY, seguimos
uma das duas correntes do Tantrismo, o Dakshina Tantra, também conhecido
como o Tantra da mão direita, que considera que tanto homens quanto mulheres
são dotados de características masculinas e femininas em sua personalidade.
Características que devem ser equilibradas para que a pessoa possa
transcender suas limitações e perceber que já é a felicidade que busca. É
uma visão não-dual, ao contrário da outra linha, o Vama Tantra, segundo a
qual só pela união do homem e da mulher – através da relação sexual
ritualizada – se poderia atingir a experiência do nenhum, que caracterizaria
a superação das diferenças individuais. Para o Dakshina Tantra, a
experiência é passageira, acontece e termina; enquanto a vivência permanece
na medida em que se incorpora à personalidade, passando a integrá-la.
Yoga não é ginástica
A prática do Yoga não envolve mistérios,
nem implica tornar-se um recluso meditando nas montanhas ou florestas como
fazem alguns yoguis indianos. Não é um conhecimento fechado destinado a um
pequeno círculo de eleitos. Dirige-se ao homem comum, independentemente de
profissão, classe, religião, nacionalidade ou idade. Não é também um nicho
para crenças ou práticas religiosas. E nem pretende explicar o significado
último da vida, segundo palavras do mestre inidiano
,
discípulo de , o precursor do Tantrismo.
Mas Yoga também não é
ginástica, embora algumas posturas e técnicas surtam efeitos sobre o corpo
mais eficazes do que muitos exercícios praticados em academias. Portanto,
não se deve ficar atraído apenas pela plasticidade de umas posturas ou pela
agilidade de outras. O fundamental é buscar um trabalho completo e
consciente. O objetivo do Yoga, ainda segundo Dhirendra, é desenvolver
gradualmente a mente, de forma que se possa compreender a realidade e
alcançar o auto-conhecimento por meio de um funcionamento saudável da mente
e das emoções. Isso pode ser alcançado através de vários processos.
Trata-se de uma ciência?
Não havia laboratórios à disposição dos mestres da antiguidade, mas
considerando-se os efeitos alcançados, os estudiosos concluem que eles eram
conhecedores de todas as funções vitais do corpo. Os exercícios são
elaborados de tal maneira que ao mesmo tempo em que formam a musculatura,
fortalecem os ossos e têm efeito significativo sobre os órgãos do corpo,
como sistema digestivo, glândulas endócrinas e sistema nervoso. O mesmo
mestre indiano considera que o Pranayama, ou retenção da respiração, ocupa
um importante papel nessas séries: “De acordo com nossa ciência, existe um
corpo sutil ao lado do corpo físico, e o conjunto dos exercícios de Asanas e
Paranayama permite controle total sobre ambos. Este é o requisito essencial
para o desenvolvimento espiritual.” Os exercícios podem prevenir e curar
doenças, mas são mais valiosos no sentido de contribuir para uma saúde
positiva, na forma de aumento de energia e bem-estar, como nenhum sistema de
medicina pode fazer, avalia.
As várias
linhas que trabalham com o corpo são originárias da tradição do Tantra e do
Hatha Yoga. O Dakshina Tantra vale-se dos vários processos citados, partindo
do princípio de que um corpo saudável é essencial para o desenvolvimento
mental e espiritual. Utiliza-se, para isso, além dos conhecimentos contidos
nos Vedas (escrituras sagradas hindus), de várias de preparação.
E, o que é fundamental, todas as séries são individualizadas, de modo a
atender às necessidades de cada aluno, o que não acontece com a maioria das
práticas de Yoga no Brasil.
“O caminho proposto pelo Tantra é a realização, a experiência direta, a
vivência individual”, conceitua o professor Paulo Murilo em seu livro ‘Os
Segredos do Tantra e do Yoga’. Segundo ele, a concepção tântrica vê o homem
como uma combinação de energias e seu objetivo principal é dirigir-se à
origem, à Mãe (Shakti), que contém e engendra todos os seres. “O Tantra Yoga
consiste na utilização adequada dessas energias para se conseguir a
realização plena do ser. À medida que o aluno toma consciência de todas as
suas energias e de sua capacidade de lidar com elas, vai harmonizando seu
interior e também se harmoniza como o todo.”
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